terça-feira, 23 de abril de 2013

Gabriela do meu Piauí


Ano passado o Brasil inteiro se divertiu com os bordões do enigmático Coronel Jesuíno, brilhantemente interpretado pelo ator José Wilker em mais uma versão televisiva do romance de Jorge Amado: "Gabriela, Cravo e Canela". Entretenimento a parte, o personagem nos remete a uma época triste da nossa história, em que a população nordestina sofria com essas figuras "poderosas", Autoridades acima das leis, do bem, do mal e de tudo que fugisse dos seus interesses, os famosos coronéis na então rica e patata Ilhéus da década de 20.

Hoje estamos na Era da Informação, da transparência, da valorização (ainda que tardia, hipócrita e incompleta) da ética, da honestidade e da justiça. Na história recente do nosso país, presenciamos alguns desses "poderosos" sendo julgados, condenados e presos pelas atrocidades cometidas contra a sociedade.

Claro que a corrupção está longe de ser eliminada (nem creio que um dia será) mas é um começo. O problema, infelizmente, está em cada um de nós: O "jeitinho brasileiro" é cultural, é a relação promíscua entre o público e o privado, enraizada dentro de cada alma tupiniquim, deveria ser motivo de vergonha e não de orgulho, como é exaltado em algumas rodas.

Tanto está em nós que até hoje temos "coronéis" do século XXI tentando aplicar esses mesmos mandos e desmandos naqueles que consideram inferiores e, com dor no coração, vejo o meu Piauí ajoelhando-se a cinco ou seis famílias "poderosas" que fartam-se à mesa do dinheiro público enquanto jogam as migalhas pelos seus cantos, onde os que se acham "menores" ficam felizes com os restos.

Eu não aceito isso, nem os "coronéis" nem os restos. Enquanto não lutarmos pelo nosso estado, não esperem que ninguém lute para acabar com essa capital com cara de província, onde tudo é difícil, onde nada dá certo sem o dedo público sujo, esse câncer que se estende por todo o nosso território.